Guerra do Contestado

Durante 4 anos (1912-1916), atrás dos antagonismos políticos, sociais e religiosos eclodiu essa violenta guerra, onde o messianismo, o místico ou sobrenatural induziu, inspirou e amparou os caboclos do Contestado para darem vazão a uma explosão emocional em busca de liberdade e justiça, que acabaria vencida e esmagada pelas forças repressoras, que sempre defenderam a ordem desigualitária e as elites em detrimento da maioria desprivilegiada.

A Ferrovia SP-RG trouxe o progresso por onde passou, inclusive para Campos Novos. Os muares, os cavalos foram substituídos pelo trem. Enfim, facilitou-se o comércio e as comunicações, essa sertania passou a ter acesso de forma rápida aos grandes centros e as comodidades do capitalismo.

Porém, para sua construção o Governo Brasileiro concedeu a empresa norte-americana Brazil Railway, 15 Km de lado dessa estrada de ferro. Os habitantes das terras entregues a Brazil Railway, não foram indenizados, foram simplesmente expulsos. Portanto, a principal causa da Guerra do Contestado foi a miséria dos caboclos que foram espoliados de suas terras pelos capangas dessa empresa.

Os caboclos se uniram aos agregados e peões que não viam perspectiva alguma em continuar a servir os coronéis e por isso decidiram rumar para os “redutos”. Vieram a integrar-se a esse grupo de “fanáticos”, os ex-trabalhadores da construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. É sabido que após a conclusão dessa obra muitas pessoas foram demitidas e permaneceram na região, sem emprego ou terras para obter seu sustento, passaram a crer e ter as mesmas aspirações dos seguidores do monge João Maria.

No século XIX, além dos tropeiros começou a visitar a região disputada pelo Paraná e Santa Catarina (Região do Contestado), um personagem místico: era o profeta ou monge João Maria. Devido ao seu poder de cura e de persuadir os caboclos passou a ser venerado como santo pelo povo carente de instrução e conforto espiritual.

Nos anos de 1914 e 1915, aconteceram batalhas entre os caboclos do Contestado contra as polícias de Santa Catarina e do Paraná, e as tropas do Exército. As estações de São João e Calmon, e a cidade de Curitibanos são incendiadas pelos caboclos. Em Campos Novos, criou-se a Guarda Municipal para defesa de possível ataque dos fanáticos. Grupos armados de lado a lado, perambulam por esses sertões. Até que os caboclos são vencidos. E com a prisão do líder fanático Adeodato e o acordo assinado entre os Estados do Paraná e Santa Catarina, que pôs a questão dos limites. Em 1916, finda esse episódio sangrento da História do Brasil.

Acervo: Arquivo Histórico Municipal Deputado Waldemar Rupp